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Os Marquardt e os Lüdke de Erechim
( Segund
o capítulo )

A Migração para o Brasil

     Os motivos reais da migração dos Markwardt e Lüdke para o Brasil são obscuros, mas pela difícil situação sócio-econômica na Rússia da época podemos supor que foram estes os motivos que trouxeram nossos antepassados para cá.

A Situação na Rússia

     A Rússia dos primeiros anos de 1900 foi marcada pelo estilo "mão-de-ferro" de governo do Kzar Alejandrovitch NICOLAU II. O progresso proposto e imposto por ele fez com que a industrialização tirasse o poder econômico de sobrevivência dos agricultores para as mãos de poucas pessoas, causando revolta geral, vindo então a nascer a Revolução Bolchevita, o que chegou no seu ápice no ano de 1917, sob a liderança de Lênin. O kzar e toda a sua família foram mortos em 1918.

    Antes de 1917 muitas família russas, principalmente as de agricultores resolvem migrar para fora da Rússia tentando construir e estabelecem suas famílias com tranqüilidade, paz, segurança e dignidade.

    No começo da primeira década de 1900 a AMÉRICA, que prevê uma fuga em massa dos habitantes das regiões geladas da Rússia e Alemanha, resolve intensificar mais ainda a propaganda para incentivar para que os nativos daquelas regiões viessem desbravar e colonizar os países do seu continente, em especial o Brasil na América do Sul e os EUA na América do Norte.

A Situação no Brasil

    Os motivos da portas do Brasil serem abertas para a emigração dos alemães e russos é mais política do que humanística e começou ainda na época do império brasileiro.

    Na época o Império do Brasil, regido pelo imperador D. Pedro I, precisava habitar uma região do Brasil que estava sendo ameaçada de invasão pelos povos espanhóis sul-americanos. Esta região era o Sul do nosso Brasil. D. Pedro I decide então chamar emigrantes para desbravarem a região e assim manter a posse das terras, já que ela era pouco habitada. Politicamente falando D. Pedro I não podia chamar mais os portugueses (em especial os açorianos) pois o Brasil havia se "rebelado" de Portugal ha apenas algumas décadas. Não podia chamar os espanhóis pois eram contra os próprios que ele lutava. Não podia chamar os Ingleses pois eram um povo astuto e conquistador que estavam se destacando como sendo os melhores "colonizadores" de sua época, tendo inclusive já conseguindo "conquistar" as hoje afamadas ilhas Malvinas, que outrora pertenceram aos espanhóis. Não podiam chamar os franceses pois eram republicanos.

    A solução partiu da própria casa de D. Pedro I. Sua esposa, Dona Leopoldina, era filha do último imperador do extinto Sacro Império Alemão. Alastrou-se em larga escala nas regiões de línguas alemãs a propaganda de que o Brasil abrira as portas para que as famílias que quisessem se mudar para um novo mundo (sem ser o dos EUA) seriam não somente aceitas, mas também "pagas" (a história revelaria que o desfecho não seria necessariamente assim). Das primeiras levas de emigrantes de língua alemãs surge no Brasil a cidade de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, sendo o seu nome dado justamente em alusão ao nome da imperatriz Leopoldina.

    A propaganda não cessou de circular na Europa e Ásia, vindo a permanecer até a época do fervilhar do movimento bolchevita que pegou força a partir de 1903. A partir desta data a revolta dos povos da região para com o regime kzarista se tornava tão grande que de norte a sul da Rússia se comentava em assassinar não somente o kzar Nicolau II, como também todos o que eram ligados a ele, que seriam sua família, todos os demais parentes e também até os industriais ligados ao sistema monopolista que gerou a queda sócio-econômica dos agricultores.

    É nessa situação que se encaixa a vinda dos Markwardt e Lüdke para o Brasil.

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História dos Marquardt e Lüdke de Erechim - RS.