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Os Marquardt e os Lüdke de Erechim
( Quart
o capítulo )

Os Markwardt

     O pouco de informações que temos vem de alguns documentos, juntamente com as anotações que Guilherme Marquardt (o "guilherminho") tem adquirido nas conversas desde sua infância, com os seus parentes e ultimamente com o parente mais velho que temos ainda hoje vivo (ano de 2002), o pastor Guilherme Lüdke.

     Karl Friedrich Markwardt nasceu na cidade de Kaliningrado, em Königsberg, no tempo do Império Alemão, na antiga Prússia Oriental. Não se sabe a data de seu nascimento. Karl migrou para a região da Bielo-Rússia e se casou com Wilhelmine Shilke.

     Não temos certeza mas talvez foi em Königsberg que nasceu o primeiro filho: Wilhelm Markwardt. O segundo filho, Karl Gustav Hermann Markwardt teria nascido em 1864, em Warschau que é Varsóvia, a capital da Polônia de hoje. A seguir a família teria migrado para as regiões do vale do Rio Pripjet, na província de Minsk (atualmente província da Rússia) e lá nasceram mais dois filhos, Friedrich Markwardt e Emil Hermann Markwardt. Depois destes dois filhos ainda vieram mais três filhas: Olga Markwardt, Pauline Markwardt e Emílie Markwardt. As duas últimas eram gêmeas. Karl Friedrich Markwardt morreu em 1898 em Zarudbja, na Bielo-Rússia.

     Os Markwardt migraram para o Brasil por motivos alguns semelhantes aos dos Lüdke e por outros diferentes. Os Markwardt que migraram para Erechim do Rio Grande do Sul se resumem na família de Karl Gustav Hermann Markwardt e na família de Emil Hermann Markwardt seu irmão.

     Karl Gustav Hermann Markwardt
     ( Carlos Gustavo Frederico Marquardt )

     Numa época em que pairava o desprezo da parte mais pobre para com os ricos, Karl Gustav deveria realmente ser uma pessoa visada pelos "bolchevics", e ele sabia muito bem disto. Ele derrubava árvores para vender ao comerciantes madeireiros, e esta profissão talvez deu a Karl o estereótipo de "rico".

     Pelas histórias ouvidas nas conversas de família já aqui no Brasil, comentava-se que Karl Gustav falava muito que queria sair da Rússia para poder criar sua família com segurança, pois a crise social daqueles dias eram impróprias para os homens de melhor renda financeira. Para os bolchevics não existia rico bom, pois todos eram considerados usurpadores dos recursos dos pobres. Karl Gustav não era propriamente um homem rico mas, por ter uma madeireira e vender para esportadores europeus, isto o tornava um pouco acima da média financeira dos demais. Na foto de família vemos que eles tinham roupas boas e Richard, o filho mais velho estava estudando engenharia antes de virem para o Brasil, o que distingüia a família de Karl da classe de famílias mais pobres.

     A pressão era tão forte que Karl Gustav saiu ainda numa época de relativa calma política, deixando todos os bens para trás, sem levar nada para as novas terras a alcançar. Nos dias em que saíram das  terras russas a situação já era tensa, apesar de terem saido cinco anos antes da revolução estourar por completo.

     Karl Gustav vivia em Minsk, na Bielo-Rússia, juntamente com seus três irmãos, Wilhelm, o mais velho, e os mais novos Friedrich e Emil. Haviam também três irmãs, Olga, Pauline e Emilie, mas não sabemos da história delas. Não sabemos porque, mas dos quatro irmãos, apenas Karl Gustav e Emil resolvem migrar da Rússia para o Brasil e depois da partida, os dois irmãos nunca mais tiveram notícias dos irmãos e demais parentes que ficaram e isto é assim até hoje. Emil era casado com Amália Lüdke, sobrinha de Hermann que já estava no Brasil. Ambos, Karl e Emil já sabiam do paradeiro dos Lüdke no Brasil e decidem também ir para lá.

     Emil Hermann Markwardt
     ( Emílio Germano Marquardt )

     A história de Emil começa em Minsk, na Bielo-Rússia, aonde ele nasceu em 1875, e foi também alí que nasceu a comunhão da família Markwardt com a família Lüdke, vindo a acontecer o primeiro casamento entre estas duas famílias, que foi o de Emil com Amália Lüdke. Os Lüdke moravam numa aldeia chamada Chorlin, perto de Minsk. Posteriormente, já no Brasil, também houveram outros casamentos Marquardt e Lüdke (compare no gráfico da Genealogia Lüdke ).

    Karl e Amália tiveram cinco filhos na Rússia: Karl (Carlos, pai de Bruno Marquardt), Hermann (Germano), Wilhelm (Guilherme, o "guilhermão"), Adolf (Adolfo) e Oswald (Osvaldo). Nesta fotografia tirada na Rússia uns dias antes de virem para o Brasil, aparece a família de Karl e um judeu com seu filho, que eram amigos da família (são os dois da direita). Aqui no Brasil nasceram os outros dois filhos: Olga e Ernest.

A orígem de Amália Lüdke

    A respeito de Amália Lüdke existe uma dúvida não bem esclarecida até hoje sobre o sobrenome de solteira dela, pois ela era Lüdke de nascimento, mas também era conhecida como Amália Ponte.
    Pelo que concluímos nas nossas pesquisas, Amália é reconhecida como sendo Lüdke de nascimento, e supõe-se que o seu pai teria sido Karl Lüdke, que morrera na Rússia vítima de assalto. Ele era um dos irmãos de Hermann Lüdke. A viúva dele se casaria novamente com alguém de sobrenome PONTE, daí surgindo então o "segundo" sobrenome adotado por Amália, vindo então a ser também conhecida como Amália Lüdke Ponte. Porém, no seu casamento com Karl Markwardt, constou apenas o nome de solteira como sendo Amália Lüdke.

     Os irmãos Karl Gustav e Emil fizeram a mesma rota de migração que os Lüdke fizeram no ano anterior. Os Lüdke haviam chegado no porto do Rio de Janeiro em maio de 1911, e os Markwardt em outubro de 1912. Foram para o Rio Grande do Sul, na mesma localidade de Paiol Grande e na mesma Linha 3. Alí se estabeleceram para tentar uma nova vida longe da Rússia kzarista às portas do bolchevismo.

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História dos Marquardt e Lüdke de Erechim - RS.