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Os Marquardt e os Lüdke de Erechim
( Quint
o capítulo )

A Vida em Erechim, no RS.

     Os Lüdkes eram trabalhadores da lavoura e estavam se adaptando às terras, mas os irmãos Karl e Emil não. Eles eram madeireiros por profissão. Por isso, dois anos depois de se instalarem na "linha 3", os Markwardt começaram a se mudar para o "centro" de Paiol Grande, aonde poderiam fazer o que realmente sabiam. Hermann F. A. Lüdke e sua família permaneceram no interior.

     Karl Gustav foi o primeiro dos Markwardt a se mudar e já em 1914 ele inaugurou sua casa em Paiol Grande, o que foi uma festa só, com a presença dos parentes Markwardt e Lüdke, e mais outros amigos e visinhos.

Hermann e Maria tentam ir para os EUA

     Depois que os Markwardt se mudaram da colônia para o "centro", Hermann e Maria Lüdke, que ficaram na colônia, resolvem mudar de vida, pois a vida no Brasil não estava agradando a eles.
     Maria Lüdke se correspondia com sua irmã Johanna que migrara para os EUA desde quando ainda estavam na Rússia, e aqui no Brasil as correspondências continuavam a acontecer. Nas cartas Johanna incentivava o casal Hermann e Maria para que fossem para os EUA. Eles decidem pela mudança de nação e vendem tudo o que tinham adquirido no Brasil até aqui, se despedem dos parentes e viajam para o porto do Rio de Janeiro aonde, já com passagem de navio comprada, embarcariam para as terras da amada irmã de Maria. A esta altura dos acontecimentos Hermann e Maria levaram consigo apenas os dois filhos caçula, Albertina e Guilherme, pois os outros seis mais velhos já estavam encaminhados, matrimonialmente falando.

     Na hora de embarcarem no navio, um oficial do porto nota que Hermann ia conduzindo sua família com uma das mãos para trás como quem esconde algo. O oficial pergunta a Hermann o que é que ele estaria escondendo. Hermann nega estar escondendo algo, mas o oficial pega na sua mão e descobre que não havia nada na mão do russo. Havia sim, a falta de alguma coisa na própria mão de Hermann. Não sei precisar, mas faltava uma parte de um dos dedos de uma das mãos de Hermann. Vendo isto, o oficial disse-lhes que era para guardarem o pouco dinheiro que ainda tinham, pois certamente não seriam aceitos nos EUA por causa da mão defeituosa de Hermann. Disse que ao chegarem nos EUA eles seriam imediatamente mandados de volta, pois a seleção dos norte-americanos era rigorosa e não aceitava "mutilados". O oficial não estava mandando neles, estava apenas aconselhando-os, pois conhecia bem a imigração norte-americana. Agora Hermann e Maria é quem deveriam decidir ...
     O casal ficou arrasado, particularmente a Maria. Ela saíra da colônia da linha 3 falando para todo mundo que iria para os EUA, para a terra da sua amada irmã Johanna. Ela alimentou profunda esperança de viver junto com sua irmã, e agora ela sentia uma grande vergonha por ter que voltar. A princípio, por insistência dela, o casal não deveria voltar para Paiol Grande, mas por causa das poucas economias que ainda lhes sobraram, aceitaram viver novamente na terra com os parentes.
     Hermann e Maria tocaram a vida para frente mas Maria nunca mais se recuperou completamente do baque. Dali em diante o desgosto pela fracassada viagem rendeu a ela, até os últimos dias de sua vida, a sempre expressão triste no seu semblante, que todos conheciam. Nos últimos dias de vida ela vivia decorando com crochés as fotos que tinha da sua irmã Johanna e dos filhos dela.

Políticas familiares ...

     Um caso pitoresco marcou o início da vida da comunidade de então, em Paiol Grande. Tanto os Markwardt quanto os Lüdke eram luteranos, e na época os pastores que os atendiam eram apenas itinerantes. Eles eram também um tipo de oficiais de registros civis, que registravam nascimentos, batismos, "confirmações" de batismos, casamentos e óbitos. Ainda na região da colônia, na linha 3, Hermann Lüdke resolveu doar o que seria a primeira igreja Luterana da redondeza. Mais tarde, quando os Markwardt se mudaram para a "cidade", Karl Gustav é quem resolveu ceder um cômodo da sua casa para a realização dos ofícios do pastor que por ali ainda era itinerante. Mas as coisas não ficaram muito cômodas para o pastor que se instalou por lá. Houve uma desavença entre Karl Gustav e o pastor. Não se sabe o motivo, mas o certo é que o pastor conseguiu um terreno em outro lugar perto da casa de Karl Gustav e construiu também lá uma Igreja. Esta futuramente passaria a ser a igreja sede (também a primeira igreja de Erechim), sendo a da linha 3 uma igreja pertencente à paróquia. É assim até os dias de hoje.

A "conversão" dos nomes no Brasil.

     Por causa na nova nação adotada, os nomes e sobrenomes destes povos imigrantes foram adaptando-se à grafia portuguesa do Brasil. Apesar de já na Rússia o nome "Markwardt" também ser escrito também como "Marquardt", aqui no Brasil o assunto ficou definido por completo. No Brasil, até o final dos anos 90, no alfabeto da nossa língua portuguesa não existiam as letras "K","W" e "Y". Se não fosse por este detalhe o nome desta pesquisa genealógica se chamaria "Genealogia da Família Bruno e Walli Markwardt". Karl passou para Carlos, Wilhelm para Guilherme, Hermann para Germano, Friedrich para Frederico, August para Augusto, Emil para Emílio e assim por diante. Por isso hoje em dia em quase todos os documentos lavrados aqui no Brasil já constam os nomes e sobrenomes "abrasileirados". Na nossa pesquisa genealógica, porém, é importante escrever os nomes e sobrenomes dos antepassados como eram de fato quando nasceram.

     Outra mudança foi adotada pelos Marquardt. Três dos filhos homens de Karl Gustav Hermann Markwardt (agora Carlos Gustavo Germano Marquardt) e de Emil Markwardt (agora Emílio Marquardt) tinha nomes iguais: Karl (agora Carlos), Hermann (agora Germano) e Adolf (agora Adolfo). Os filhos de Carlos Gustavo receberam um segundo nome: Gustavo. Os filhos de Emílio receberam o nome Emílio como segundo nome. Quando enfim os nomes de todos foram "abrasileirados", Karl Markwardt filho de Emil Markwardt, passou a se chamar Carlos Emílio Marquardt. Em outros casos o segundo nome  veio acrescido de mais um nome ainda, é o caso do Adolf Markwardt, filho de Carlos Gustavo que passou a se chamar Adolfo Carlos Gustavo Marquardt.

     Houve ainda uma tentativa de "abrasileirar" o sobrenome Lüdke para LIEDKE, mas não "colou", apesar de haverem registros de nascimento e casamento posteriores escritos com esta grafia.

     Já se tornara costume os casamentos entre Markwardt e Lüdke e o casamento de Carlos Emílio Marquardt com Albertinie Marie Lüdke (agora Albertina Maria Lüdke) não foi diferente. Num dos últimos aniversários de Albertina ela revelou um fato interessante que nunca se comentou em casa. Ela contou que teve que dar um "empurrãozinho" para que o meu avô Carlos decidisse finalmente se casar. O meu avô era meio "descansado" e estava protelando um pouco sobre a data do casamento. Brincadeiras à parte, o motivo real era que nenhuma das mães de Carlos e Albertina não queriam o casamento, pois eles eram primos de primeiro grau, o que poderia vir a trazer algum problema físico para filhos que nascessem deles. Mas o período de desconforto familiar passou e o casal passou a viver em paz com suas sogras até os últimos dias. O interessante é que Albertina passou a ter sua prima Amália como sogra ...

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História dos Marquardt e Lüdke de Erechim - RS.